Nessa vida a gente vai se tornando e deixando de ser também. Não dá para estender o passado se quisermos entrar no futuro. Ficar é uma palavra estranha pois a permanência nunca tem sentido. O devir, contudo, cria lugares, lugares do ser, lugares onde o ser é reconhecido – morrerás sendo, tendo sido.
Espaço... O que fica nunca é o tempo, é o espaço. Que espaço quero construir? Em que espaço quero ser reconhecida? Que espaço quero ser?
Sou um espaço. O espaço está na matéria e não em seu em torno vazio. O tempo é a sua chance.
Não sei falar do som que ouço agora. Ele não é meu, mas está em mim, deu tantas voltas…Vou construindo aos pedaços minha capacidade de dizer. Não acho que tenho nada a dizer, mas sou um ponto de sintetização de espaços.
domingo, 25 de abril de 2010
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Dos Atuais Prazeres
• a vida no Rio,
• a falta de horário,
• não precisar tanto dinheiro para diversão,
• dormir no Guga,
• não ter muitas regras,
• andar de bike,
• ir no samba,
• não preconceito,
• convivência com todas as gentes,
• Santa,
• açaí,
• pão com manteiga na casa do Guga,
• banho de mangueira,
• Andrea e sua liberdade;
• gente que não perde tempo com carro,
• mar sem programa,
• cantar,
• tardes de bobeira,
• dançar,
• gente que toca violão,
• preto, branco, mulato, caipira, noderstino, estrangeiro;
• botecos do Rio,
• muçulmanos,
• Gil – e Lula –,
• Vandinha, que em cena é linda, da show!
• Franco, Teresa, povo da Pulsar, que é tudo diferente;
• Ita, que passa em casa para me levar para a praia;
• amigos simples, inteligentes, engraçados, parceiros, talentosos;
• salada de fruta,
• bossa,
• Chacon, que é incrível - uma das pessoas mais interessantes que conheço -;
• Celina, fantástica!
• o novo penteado do João Batista,
• o Pichote, que está com 14 anos e firme;
• pedalar em São João da Boa Vista;
• meus vizinhos de São José;
• as maratonas gastronômicas da família;
• a simplicidade e o despreendimento dos meus dias.
- Chiquilla! Vamos cantar, Chiquilla! Quanto tempo mais...?
• a falta de horário,
• não precisar tanto dinheiro para diversão,
• dormir no Guga,
• não ter muitas regras,
• andar de bike,
• ir no samba,
• não preconceito,
• convivência com todas as gentes,
• Santa,
• açaí,
• pão com manteiga na casa do Guga,
• banho de mangueira,
• Andrea e sua liberdade;
• gente que não perde tempo com carro,
• mar sem programa,
• cantar,
• tardes de bobeira,
• dançar,
• gente que toca violão,
• preto, branco, mulato, caipira, noderstino, estrangeiro;
• botecos do Rio,
• muçulmanos,
• Gil – e Lula –,
• Vandinha, que em cena é linda, da show!
• Franco, Teresa, povo da Pulsar, que é tudo diferente;
• Ita, que passa em casa para me levar para a praia;
• amigos simples, inteligentes, engraçados, parceiros, talentosos;
• salada de fruta,
• bossa,
• Chacon, que é incrível - uma das pessoas mais interessantes que conheço -;
• Celina, fantástica!
• o novo penteado do João Batista,
• o Pichote, que está com 14 anos e firme;
• pedalar em São João da Boa Vista;
• meus vizinhos de São José;
• as maratonas gastronômicas da família;
• a simplicidade e o despreendimento dos meus dias.
- Chiquilla! Vamos cantar, Chiquilla! Quanto tempo mais...?
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Estudo do corpo número 2
"Está desaparecida". Era assim que o jornal do dia comentava minha cara ao descobrir que não havia leitor a segurá-lo frente aos olhos.
Logo em seguida um corpo atravessa a rua há alguns metros de distância de um suposto observador. – Vale notar que este observador anda seguindo este corpo há pelo menos nove meses.
Bem, este corpo que anda a frente desta testemunha oculta é falso, falsifica a identidade humana, posto que da espécie só tem a forma. - Não deixamos de apontar que a cópia é magnífica, perfeita; todos podem acreditar que há alguém ali, mas não. Somente o observador indicado acima sabe que aquela matéria é fantasma.
O observador está ávido por relatar ao mundo a descoberta de um corpo fantasma. Ele quer dizer: Isso não é verdade! Caminha, carrega objetos, lança sorrisos, mas está morto: este corpo só move!
O corpo não quer ser desmascarado, pois isso o obrigaria a morrer de fato. Sendo assim, ele respira, lança sorrisos, trabalha, e em alguns dias empresta sua energia para eu vir chorar.
sábado, 19 de setembro de 2009
Estudo do Corpo número 1
Sinto falta de um amigo. Um amigo sem interesse, para brincar.
Sinto falta de mim; daquela garota que tinha uma história viva
(O que era falar com ela todos os fins de semana?)
Havia realidade - eu era real.
Os outros eram o mundo, eram paisagem, o cenário onde nossa brincadeira acontecia. Somente nós éramos reais.
Quantos enterros meus fiz!
Sepultei-me várias vezes,
e ainda não estou lá onde me deixei.
Vago.
O que sobrou de mim? Pele, carne, ossos,
pedaços organizados em forma de corpo.
Sinto falta de mim; daquela garota que tinha uma história viva
(O que era falar com ela todos os fins de semana?)
Havia realidade - eu era real.
Os outros eram o mundo, eram paisagem, o cenário onde nossa brincadeira acontecia. Somente nós éramos reais.
Quantos enterros meus fiz!
Sepultei-me várias vezes,
e ainda não estou lá onde me deixei.
Vago.
O que sobrou de mim? Pele, carne, ossos,
pedaços organizados em forma de corpo.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Corpo ali
Pedaço de algo abrunhado junto a outros objetos depositados num espaço quadrado a que chamamos casa. Sou eu. Pedaço mole, de cor amarelada, movente. O tempo vai esticando tudo; meus braços cada vez mais largados, minhas pernas mais desordenadas, minha cabeça, uma esfera atônita pendendo sobre ossos. Um amontoado, uma massa, um ajuntado de pedaços moles a ficar.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
O vento
O vento passa e vai levando tudo que até hoje chamei eu.
Não sabia que era feita de cores fortes, móveis, cachorro, sorrisos dos outros - tão queridos! -, de uma pele cheia de manchas, pintas e cravos - que ela costumava chamar de couro de porco - mas sem rugas (sorrio quando lembro).
Não sabia que era feita de uma idéia de mim mesma que só tinha sentido quando tudo estava em seu lugar.
A voz dela, a casa dela, a música do seu violino e da sua flauta...O vento está levando tudo e eu me desfazendo como estátua de areia.
Ainda tento respirar, mas o ar está vazio.
Nunca foi tão nítido o tempo, o desgaste, o verbo ir, o nada, o não.
Não sabia que era feita de cores fortes, móveis, cachorro, sorrisos dos outros - tão queridos! -, de uma pele cheia de manchas, pintas e cravos - que ela costumava chamar de couro de porco - mas sem rugas (sorrio quando lembro).
Não sabia que era feita de uma idéia de mim mesma que só tinha sentido quando tudo estava em seu lugar.
A voz dela, a casa dela, a música do seu violino e da sua flauta...O vento está levando tudo e eu me desfazendo como estátua de areia.
Ainda tento respirar, mas o ar está vazio.
Nunca foi tão nítido o tempo, o desgaste, o verbo ir, o nada, o não.
terça-feira, 2 de junho de 2009
"O sertão é dentro da gente"
As vezes não precisamos dizer nada porque alguém antes de nós já achou todas as palavras.
"Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muitos vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como o sofrimento dos homens."
(Guimarães Rosa)
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