domingo, 1 de setembro de 2013

Estávamos no tempo das lembranças fantásticas:
Éramos todos vaga-lumes da floresta cega.
Éramos todos bocas abertas da planície sem ar.
Cantávamos mímica
e sacudíamos os iluminados traseiros lá,
na noite única do esquecimento.


Ninguém nunca soube. 

sábado, 8 de junho de 2013

Pego por várias arestas...
Mas seria possível: uma coisa ser geométrica e não tem forma alguma?
Pois é assim com as coisas quebradas. Pois é assim com as distâncias infinitas. Assim comigo.

Habito horizontes que nunca vi.  

Fim Imperceptível

Não precisa dizer nada,
O tempo bastará.
Como bastou outrora  
o desejo e a indolência nas superfícies quentes.

Passaremos por esta manhã
 (E algumas mais)
A deixar aquele sonho deformar-se
- E um bocado dos nossos doces olhares -
Até que não nos reconheçamos mais.

Sem respiração.
Sem acusação.
Ambos cobertos por roupas
indiferentes àquelas reluzentes sensações.       

sexta-feira, 29 de março de 2013

Do ar: humores transparentes


Pula a bolha
Na minha blusa.
Lambuza
De película tonteante
O sabão – alquimista valente a voar em revoluções diáfanas coloridas.

Na roupa colou, estourou,
babou toda sua alegria...

(visco flutuante)

A veste adoçou o sabão de vermelho...

Então ele disse adeus ao sonho de ser nuvem, 
E ela: 
ficou toda molhadinha. 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Insustentável


Nalgum lugar sem tempo
sinto seu corpo jovem.
No poço de minhas mágicas aletrias
você existe várias vezes, você existe

 várias formas,
 fluindo por todos os ramos de minha árvore sanguínea.

No lastro dos meus sonhos
você está vivo: todo sorrisos,
esquecido dos amores de outras noites.
Diz palavras 
labirintos para meus ouvidos
como quem de repente acode um nascimento.

E então mais uma vez puxo-lhe
do fundo infinito eu  

para ter suas mãos na boca cega do meu desejo.

Depois da realidade,
dentro de mim, você é assim:
o homem cansado da máscara da tragédia

que se liberta e vem

com vontade de ser mais.  

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A Folha Solta


Atacada de liberdade,
Perseguiu-me desesperada,
Rolando suplicante pelo chão.
Dei de banda, pois,
Não queria ouvir o seu lamento.

Porém, quando bateu à porta a noite,
A notícia: a folha estava morta.
E foi de golpe de vento.
Seu cadáver na minha porta,
Com a culpa indesculpável a seu lado
Indagando-me:
Por que não acudi a tempo?

Sem razão, e já com a infeliz sobre a mão,
Disse-lhe baixinho, envergonhada:
Não entendi que clamava pela árvore mãe,
Tomei-lhe por vegetal a lastimar a independência.

Hoje, na tarde de ventania – eu não sabia –
Fui seguida por uma folha livre
Que morria...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Da matéria


E as horas que caem dos telhados
deixam cruas as distâncias entre meus lados.
Vida de misturas viscosas,
envelhecendo acordada (não cozida)
dentro da geometria temporal
dessa esperança lúdica,

talhada humores lúbricos,
na gosma desvairada de coisas infinitas: 

Sentido Mundo.